Fertilizantes em 2026: o risco dos fosfatados e o impacto no custo de produção da safra 26/27

O mercado de fertilizantes encerrou maio com um sinal que a maioria dos embarcadores e produtores ainda não incorporou no planejamento da safra 26/27: a ureia caiu, mas o fósforo não cedeu. E o enxofre, insumo fundamental para a produção de fosfatados nacionais, opera acima de US$ 1.000/t com oferta travada e sem data definida para normalizar.

Para quem ainda não garantiu suprimento de fosfatados, a janela está se fechando. O custo de esperar é maior do que o custo de antecipar.


O que está acontecendo no mercado de fertilizantes em 2026

O comportamento do mercado de fertilizantes em 2026 não é uniforme. Cada nutriente tem uma dinâmica própria e os riscos estão concentrados num ponto específico: o fósforo.

Nitrogenados: alívio real

A ureia encerrou maio na sétima semana consecutiva de queda, com o CFR Brasil fechando em US$ 542/t em 05/06 — recuo de aproximadamente US$ 200/t em relação ao pico de US$ 790/t registrado em meados de abril. O sulfato de amônio também recuou, operando em torno de US$ 250/t CFR. O balanço de nitrogênio do Brasil de janeiro a junho está 15% abaixo do ano passado, sinal de comprador em posição de espera.

Para quem ainda precisa comprar nitrogenado, a janela de preço está favorável. Os indicadores de mercado apontam para mais espaço de queda antes da demanda do pré-plantio pressionar novamente.

Potássio: estabilidade sem surpresa

O KCl (cloreto de potássio) segue em torno de US$ 405/t, sem movimento relevante. Sem risco imediato de alta, sem oportunidade clara de queda. O comprador que precisar travar pode fazê-lo sem pressa — mas também sem expectativa de desconto significativo.

Fosfatados: o ponto sensível

É aqui que o risco está concentrado.

O MAP (fosfato monoamônico) segue estável em torno de US$ 900/t CFR há cerca de um mês. Estabilidade que não é sinal de alívio — é sinal de piso. Não há pressão vendedora relevante, e a demanda por originação para o pré-plantio de 2026/27 vai aumentar ao longo do segundo semestre.

O TSP acumula alta de 32% no ano, com programa de importação recorde de 1,2 Mt. O SSP nacional atingiu a menor marca de produção desde 2015, com recuo de 34,1% no trimestre — o que aumenta a dependência de importação e pressiona os fretes de retorno que transportam esses insumos do porto para o campo.


Por que o enxofre é o fator crítico

O enxofre é o insumo que conecta todos os problemas do mercado de fosfatados em 2026.

Opera acima de US$ 1.000/t por dois fatores simultâneos: a suspensão do transporte vindo do Cazaquistão pela ferrovia russa RZD e a proibição russa de exportação do produto, em vigor até 30/06. Com a oferta travada, o preço do enxofre pressiona diretamente o custo de produção do SSP nacional — que já opera na mínima histórica.

A cadeia é direta: sem enxofre disponível, o SSP nacional não aumenta produção. Sem SSP nacional, a demanda migra para importação. Mais importação significa mais pressão nos fretes de retorno que, com o CIOT para Todos em vigor desde 24/05, rodam obrigatoriamente no piso da tabela ANTT — sem mais desconto de retorno para compensar.

Os vetores de custo se somam. Não se compensam.


O impacto no custo de produção de soja em Mato Grosso

Os dados do IMEA (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) atualizados em maio de 2026 traduzem esse cenário em números concretos para o produtor.

O custo de produção de soja convencional no Mato Grosso chegou a R$ 3.687/ha em abril de 2026. Dentro desse total:

Fertilizantes e corretivos representam R$ 1.750/ha — alta de 2,95% em relação a março, com o macronutriente sozinho em R$ 1.592/ha.

Defensivos somam mais R$ 1.664/ha — alta de 1,17% em relação a março, pressionados pelo petróleo e pelo câmbio.

O custo de sementes fechou em R$ 355/ha — alta de 3,20% em relação a março.

A pressão não é pontual. É acumulada ao longo de toda a cadeia de insumos, e o custo do frete de entrega desses insumos no campo está estruturalmente mais alto desde a implementação do CIOT.


O que os fluxos de importação revelam sobre o segundo semestre

Em maio de 2026, o Arco Norte recebeu 937 mil toneladas de fertilizantes, alta de 23,3% em relação à média dos últimos cinco anos, segundo dados do Comexstat. O Arco Sul movimentou 2,22 mil toneladas no mesmo período, queda de 18,3% e abaixo da própria média histórica.

Essa divisão de fluxo tem consequência direta no planejamento logístico de quem compra fertilizante.

Menos importação no Sul significa caminhão voltando mais vazio de Paranaguá, o que pressiona a tarifa de ida nesse corredor. No Norte, o volume adicional de fertilizante cria retorno na rota que desce grão para Itaqui e Barcarena — e tende a deixar a tarifa de ida mais competitiva.

Para o embarcador de insumos, saber de qual corredor vai operar não é detalhe operacional. É parte do custo de produção da safra.


O risco que a maioria ainda não colocou no orçamento

A leitura mais comum de maio foi: ureia caindo, mercado aliviando, momento de esperar. Essa leitura está correta para os nitrogenados. Está errada para os fosfatados.

O MAP não deu sinal de queda. O enxofre segue acima de US$ 1.000/t com oferta travada por decisão regulatória — não por ciclo de mercado. O SSP nacional está na mínima histórica por conta de uma crise de suprimento que não se resolve em semanas.

E o frete de entrega desses insumos no campo, que antes podia ser negociado com desconto de retorno, agora roda obrigatoriamente no piso da tabela ANTT. A opção de compensar o custo do produto com o custo logístico deixou de existir.

Para quem ancora o planejamento da safra 26/27 no preço atual dos nitrogenados e ignora o fósforo, o orçamento vai fechar errado. O ajuste vai vir — mas vai vir no momento menos conveniente, quando a pressão de demanda do pré-plantio se somar à oferta restrita e ao frete pressionado pelo pico da safrinha.

A única estratégia que preserva margem é garantir suprimento de fosfatados com antecedência e contratar frete de insumos via BID antes da janela de pressão de outubro e novembro.

Mercado flat é fácil de navegar. O segundo semestre de 2026 não vai ser flat.


Perguntas frequentes

Por que o preço do MAP fertilizante não está caindo em 2026?
O MAP (fosfato monoamônico) segue estável em torno de US$ 900/t CFR porque não há pressão vendedora relevante no mercado global de fosfatados. A demanda de pré-plantio para a safra 26/27 vai aumentar ao longo do segundo semestre, e a oferta de enxofre — insumo essencial para a produção de fosfatados nacionais — está travada pela suspensão de exportações russas e pela interrupção no transporte cazaque. Sem alívio no enxofre, não há alívio no MAP.

O que está acontecendo com o preço do enxofre em 2026?
O enxofre opera acima de US$ 1.000/t em junho de 2026, pressionado por dois fatores: a suspensão do transporte de enxofre vindo do Cazaquistão pela ferrovia russa RZD e a proibição russa de exportação do produto em vigor até 30/06. Com a oferta global reduzida, o preço subiu e impacta diretamente o custo de produção do SSP nacional — que já atingiu a menor marca de produção desde 2015.

O que é SSP e por que está na mínima desde 2015?
O SSP (superfosfato simples) é um fertilizante fosfatado de produção nacional amplamente utilizado no agronegócio brasileiro. Em 2026, a produção nacional recuou 34,1% no trimestre e atingiu a menor marca desde 2015, impactada pelo encarecimento e restrição de oferta do enxofre, insumo necessário para sua fabricação. A queda na produção nacional aumenta a dependência de importação e pressiona os custos logísticos de distribuição no interior.

Qual é o custo de produção de soja no Mato Grosso em 2026?
Segundo dados do IMEA atualizados em maio de 2026, o custo de produção de soja convencional no Mato Grosso atingiu R$ 3.687/ha em abril de 2026. Os fertilizantes e corretivos representam R$ 1.750/ha desse total, alta de 2,95% em relação a março, pressionados principalmente pelos macronutrientes e pelo enxofre. Os defensivos somam R$ 1.664/ha, alta de 1,17%.

Como o CIOT para Todos impacta o custo do fertilizante no campo?
O CIOT para Todos, em vigor desde 24/05/2026, eliminou o desconto de retorno que o mercado de frete praticava na rota de entrega de fertilizantes. O caminhão que antes voltava dos portos com insumos a preço reduzido agora opera obrigatoriamente no piso da tabela ANTT. Para rotas como São Luís › Confresa e Cubatão › Rondonópolis, o frete de fertilizante subiu 33% e 62% respectivamente na comparação anual. Esse custo está embutido no custo de produção da safra.

Qual a diferença entre MAP, TSP e SSP para o produtor?
MAP (fosfato monoamônico), TSP (superfosfato triplo) e SSP (superfosfato simples) são as principais fontes de fósforo utilizadas na agricultura brasileira. O MAP é predominantemente importado e opera em torno de US$ 900/t. O TSP acumula alta de 32% no ano com programa de importação recorde. O SSP é produzido nacionalmente mas sofre restrição de oferta por falta de enxofre, atingindo mínima de produção desde 2015. Para o produtor, a escolha entre eles impacta diretamente o custo por hectare e a disponibilidade no pré-plantio.

Quando é o melhor momento para comprar fertilizantes fosfatados em 2026?
A janela favorável para garantir suprimento de fosfatados está se fechando. O MAP não mostra sinal de queda, o enxofre tem oferta travada por decisão regulatória e a demanda de pré-plantio para a safra 26/27 vai aumentar a partir do segundo semestre. Esperar o mercado dar sinal claro de queda significa chegar à janela de pico de demanda, entre outubro e novembro, com oferta restrita e frete pressionado. Contratar com antecedência é a única estratégia que preserva margem.

Compartilhe

engage

Get the coolest tips and tricks today

This ebook will change everything you ever thought about relationships and attachment. Find the secret to connecting better and faster